26 . 05 . 2026

Microsoft Azure: novas sub-redes privadas por padrão e alterações na saída para a Internet

O Microsoft Azure altera o comportamento das novas VNETs e sub-redes privadas. Saiba como isso afeta as VMs, a conectividade de saída e a operação na nuvem.
Equipo IT revisando arquitectura de Microsoft Azure y conectividad cloud segura.

O Microsoft Azure incorporou uma mudança significativa no comportamento padrão das novas redes virtuais e sub-redes. A partir das versões da API posteriores a 31 de março de 2026, as novas VNETs passarão a ser criadas com sub-redes privadas por padrão, o que altera a forma como as máquinas virtuais acessam a Internet.

O ponto central é claro: as novas VMs não devem mais assumir o acesso automático à Internet, caso não exista um método de conectividade de saída explicitamente configurado.

Essa mudança pode causar impacto operacional em novas implantações, especialmente quando as equipes de nuvem, infraestrutura ou DevOps trabalham com modelos, automações ou pipelines que dependem de conectividade de saída sem declará-la explicitamente.

Por isso, entre as atualizações do Microsoft Azure, esta não deve ser vista como uma novidade menor. É um sinal concreto de para onde a administração de nuvem está evoluindo: menos comportamentos implícitos, mais controle sobre a conectividade e maior rastreabilidade do tráfego de saída.

O que mudou no Microsoft Azure

Até agora, quando uma máquina virtual era implantada sem um método explícito de conectividade de saída, esse comportamento era conhecido como acesso de saída padrão e permitia que determinados recursos acessassem a Internet ou endpoints públicos da Microsoft sem uma configuração adicional definida pelo cliente.

Esse modelo antigo apresentava limitações como:

  • Insegurança: o tráfego de saída não podia ser auditado nem filtrado facilmente.
  • Esgotamento de portas: sofria bloqueios constantes devido ao esgotamento de portas SNAT sob cargas elevadas.
  • Falta de controle: as empresas não podiam replicar o mesmo IP para listas de permissões externas.

Nas versões da API posteriores a 31 de março de 2026, a propriedade defaultOutboundAccess para as sub-redes de novas redes virtuais é definida como false por padrão. Isso torna essas sub-redes privadas por padrão e impede a geração automática de endereços IP de saída padrão para as máquinas virtuais localizadas nelas.

Em termos operacionais, a mudança obriga a rever um pressuposto comum: criar uma VM não implica necessariamente que essa VM possa acessar a Internet.

Isso não significa que as novas VMs não possam se conectar à Internet. Significa que, se precisarem fazê-lo, a saída deve ser projetada e configurada de forma explícita.

Quem é afetado por essa mudança e quem não é

Um dos pontos mais importantes é evitar uma interpretação alarmista. Essa mudança não causa interrupções imediatas nos ambientes existentes.

De acordo com a Microsoft, não são feitas alterações nas redes virtuais existentes. Isso significa que as máquinas virtuais já implantadas e as novas VMs criadas dentro dessas VNETs podem continuar gerando endereços IP de saída padrão, a menos que as sub-redes sejam modificadas manualmente para se tornarem privadas.

Em termos práticos, essa mudança:

  • Não afeta automaticamente as VNETs existentes.
  • Não afeta automaticamente as VMs existentes.
  • Não altera o comportamento de novas VMs criadas dentro de VNETs existentes, a menos que a sub-rede seja modificada manualmente.
  • Aplica-se a novas VNETs/sub-redes criadas sob o novo comportamento padrão.
  • Pode impactar novas implantações que presumiam saída automática para a Internet.

Este último ponto é o mais relevante para equipes de infraestrutura, nuvem, segurança e DevOps.

Muitas organizações têm processos de implantação baseados em suposições que funcionam “porque sempre funcionaram”. Mas quando a plataforma altera um comportamento padrão, essas suposições podem se tornar pontos de falha.

Por que isso pode causar impacto operacional

O impacto não decorre da mudança em si, mas sim da falta de consideração a ela.

Uma nova VM sem acesso à Internet pode afetar tarefas operacionais básicas: baixar atualizações, instalar pacotes, conectar-se a repositórios, utilizar APIs externas ou comunicar-se com determinados serviços SaaS.

A Microsoft destaca que alguns serviços não funcionam em uma VM localizada em uma sub-rede privada sem um método explícito de conectividade de saída. Entre os exemplos, ela menciona o Windows Activation e o Windows Updates.

Isso pode causar atritos em cenários como:

  • Implantação de novas máquinas virtuais.
  • Execução de scripts de configuração inicial.
  • Pipelines de CI/CD.
  • Conexão com repositórios externos.
  • Atualizações de sistemas operacionais.
  • Instalação de agentes de monitoramento, backup ou segurança.
  • Integrações com APIs ou serviços de terceiros.

Em organizações com ambientes híbridos ou várias equipes gerenciando a infraestrutura, esses problemas podem ser difíceis de diagnosticar. A VM é criada corretamente. A rede existe. A sub-rede está disponível. Mas certos processos falham porque o acesso de saída não está mais disponível automaticamente.

Por isso, a revisão não deve se limitar à área de redes. Ela também envolve arquitetura de nuvem, segurança, operação, automação e governança tecnológica.

O que a Microsoft recomenda para manter a conectividade

A principal recomendação é mudar de um modelo implícito para um método explícito de saída.

A Microsoft menciona várias alternativas: Azure NAT Gateway, regras de saída do Azure Load Balancer, um endereço IP público associado diretamente à VM ou um firewall/NVA com rotas definidas pelo usuário. No entanto, para a maioria dos cenários, a Microsoft recomenda associar uma instância do Azure NAT Gateway à sub-rede da máquina virtual.

O Azure NAT Gateway permite que os recursos privados dentro de uma sub-rede tenham conectividade de saída para a Internet sem habilitar conexões de entrada não solicitadas da Internet. Além disso, fornece conectividade de saída no nível da sub-rede e permite trabalhar com IPs públicas controladas pela organização.

Do ponto de vista empresarial, isso traz três benefícios relevantes:

  • maior controle sobre como as VMs se conectam a endpoints públicos;
  • uso de recursos de IP rastreáveis e gerenciados pela organização;
  • menor dependência de IPs de saída predefinidos que podem mudar.

A decisão técnica, no entanto, não deve ser tomada isoladamente. A saída para a Internet deve ser definida de acordo com a criticidade da carga de trabalho, políticas de segurança, modelo operacional e requisitos de rastreabilidade.

O que as equipes de TI devem verificar antes de novas implantações

Para evitar surpresas, essa mudança deve ser incorporada ao processo de revisão da arquitetura em nuvem.

Não basta saber que o Microsoft Azure alterou um comportamento padrão. É necessário identificar onde esse comportamento estava sendo utilizado pela operação.

As equipes de TI devem revisar:

  • revisão da arquitetura do Azure;
  • análise de VNETs, sub-redes e conectividade de saída;
  • identificação de cargas de trabalho que dependem de acesso à Internet;
  • avaliação de modelos, automações e pipelines;
  • definição de uma linha de base de conectividade para novas implantações;
  • implementação do Azure NAT Gateway ou outros métodos, conforme necessário;
  • integração com critérios de segurança, continuidade e operação.

A revisão deve responder a uma pergunta concreta: a conectividade de saída está declarada explicitamente ou continua dependendo de um comportamento padrão?

O objetivo não é habilitar a Internet para tudo. É definir o que precisa de saída, por que precisa, de onde sai e sob quais controles.

Alguns exemplos de conectividade de saída explícita para máquinas virtuais são:

  • Implementada em uma sub-rede associada a um gateway NAT.
  • Implementada no grupo de back-end de um balanceador de carga padrão com regras de saída definidas.
  • Implementada no grupo de back-end de um balanceador de carga público básico.
  • Máquinas virtuais com endereços IP públicos explicitamente associados a elas.

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Essa diferença distingue uma configuração funcional de uma arquitetura governada.

Como a Wezen pode acompanhar você nesse tipo de atualização do Microsoft Azure

As atualizações do Microsoft Azure não trazem apenas novas funcionalidades. Elas também podem alterar comportamentos operacionais que as equipes já haviam incorporado em seus processos de implantação.

Por isso, o valor não está apenas em conhecer a mudança. Está em compreender como ela afeta a arquitetura real de cada organização.
De uma perspectiva estratégica, a Wezen pode acompanhar as empresas na revisão de sua infraestrutura em nuvem para identificar dependências, validar configurações e definir padrões de conectividade mais seguros e controlados.

O segredo é se antecipar. Porque uma mudança de plataforma nem sempre gera impacto por si só. O risco surge quando a infraestrutura não está preparada para absorvê-lo.

Perguntas frequentes sobre a mudança no Microsoft Azure

O que muda no Microsoft Azure a partir de março de 2026?

As novas VNETs passam a utilizar sub-redes privadas por padrão; portanto, as VMs não terão mais acesso automático à Internet sem um método explícito.

A mudança afeta VNETs ou VMs existentes?

Não. A Microsoft indica que não modifica automaticamente redes virtuais existentes nem VMs já implantadas.

O que acontece se uma nova VM precisar de acesso à Internet?

Deve-se configurar conectividade de saída explícita, por exemplo, por meio do Azure NAT Gateway, regras de saída do Load Balancer ou IP público direto.

Por que a Microsoft recomenda o Azure NAT Gateway?

Porque permite saída controlada no nível da sub-rede, com IPs gerenciados pela organização e sem habilitar conexões de entrada não solicitadas.

O que as equipes de TI devem revisar?

Modelos, pipelines, versões de API, dependências externas, atualizações, agentes e padrões de conectividade de saída para novas implantações.

Antecipar-se às mudanças do Microsoft Azure também faz parte da estratégia de nuvem

Essa mudança no Microsoft Azure não deve ser vista como uma urgência isolada. Ela faz parte de uma tendência mais ampla: ambientes de nuvem mais seguros, explícitos e governados.

Antecipar-se às atualizações do Microsoft Azure permite manter o controle operacional, reduzir riscos e construir uma infraestrutura em nuvem mais preparada para crescer.

Avalie se sua infraestrutura no Azure está preparada para essa mudança. Escreva para nós.

Together It Is Better

Imagem: Gerado por IA (DALL·E 3 – GPT-4o), OpenAI, 2026.

Fontes consultadas:

  • Microsoft. (2026). Actualizaciones de Azure: Default outbound access for VMs in Azure will be retired. Microsoft Azure. URL
  • Microsoft. (2026). Acesso de saída padrão no Azure. Microsoft Learn. URL
  • Microsoft. (2026). What is Azure NAT Gateway? Microsoft Learn. URL

 

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